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Plantel Benfica 2019/2020 - Ataque ao 38

2019.06.28 16:26 JoaoRambo13 Plantel Benfica 2019/2020 - Ataque ao 38

Plantel Benfica 2019/2020 - Ataque ao 38
Como ainda não existe um lugar em que se possa debater o plantel próxima época, e com o início dos trabalhos a chegar, estou a criar aqui esse espaço, com o intuito de fazer algo um pouco diferente:
  • Mais opinativo e com o intuito de perceber qual a vossa opinião em relação a como deveria ser composto o plantel para a época 19/20
  • Dar a conhecer todos os jogadores que neste momento se encontram nos quadros do Benfica
  • Perceber que posições deveriam ser reforçadas e quais os jogadores que gostariam de ver com o manto sagrado
  • Oferecer a minha opinião pessoal

Vou começar por identificar todos os jogadores disponíveis para se apresentarem na pré-época 19/20:
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Resumindo, Bruno Lage terá a sua disposição 50 jogadores. Relembro que entretanto o Benfica já confirmou a saída de alguns jogadores e garantiu a presença na fase de grupos da Champions, tendo portanto realizado um encaixe de 135M:
  1. Talisca (Guangzhou Evergrande) - 5.8M emp + 19,2M venda = 25M
  2. Raul Jimenez (Wolverhampton) - 3M emp + 38M venda = 41M
  3. Luka Jovic (Eintrach Frankurt) - 7M venda + 13M fut. transf. = 20M
  4. Dawidowicz (Hellas Verona) - 3M venda
  5. Salvador Agra (Légia Varsóvia) - 0,5M venda
  6. Nélson Semedo (Barcelona) - 5,1M clausula
  7. Entrada directa na fase de grupos da Champions - 42M
Realçar que está eminente a saída de João Félix e de Carrillo para as arábias, o que resultaria num encaixe de mais 135M para os cofres do Benfica.
Em relação a entradas estamos perto de garantir Raul de Tomas por 20M ao Real Madrid, já garantimos Cádiz ao Setúbal e Caio Lucas a custo zero.
Antes de começar a minha reflexão sobre o plantel do Benfica para esta época, e de modo a justificar um pouco a minha visão, fiz a mesma com a premissa que estamos em ano de Europeu e com um treinador que não irá fazer má figura na Europa.

Baliza :
  • Odysseas Vlachodimos chegou este ano e pegou de estaca. Correu-lhe melhor a primeira metade da época que a segunda, muito por causa do futebol medíocre que praticámos e consequente processo defensivo. Sou da opinião que para consumo interno serve, para atacar a Champions não. Foi campeão, é titular da sua selecção e está valorizado. Se surgir uma boa proposta seria interessante aproveitar a oportunidade.
  • Mile Svilar foi a nossa segunda opção mas tarda em demonstrar todo o seu potencial. Penso que a pressão que tem no Benfica neste momento não lhe é favorável, embora não gostasse de o descartar em definitivo. Um empréstimo a uma grande escola de guarda redes como o Rio Ave (por 2 anos dando-lhe estabilidade para se desenvolver) seria ouro sobre azul.
  • Bruno Varela, o patinho feio para os adeptos. Não é mau guarda-redes, mas não serve para o Benfica. Deveria ser emprestado para um campeonato periférico (Grécia, Turquia, Arábias) com uma clausula a rondar os 5M para se correr bem ser facilmente batida. Enquanto escrevia este texto Varela foi emprestado ao Ajax*
  • André Ferreira e Zlobin, dois produtos do Seixal que contam para as inscrições na UEFA. Zlobin tem potencial para ser muito bom guarda-redes e não sei se não lhe faria bem um empréstimo para ser testado. André tem qualidade (e demonstrou-a no ínicio de temporada ao serviço do Aves) mas não para o Benfica. Um dos dois terá de ser o 3º guarda redes para este ano. Se sair Vlachodimos ficariam os dois, na sombra do que chegaria. Depois de este post ter sido publicado, e embora nao vá alterar o plantel final, André Ferreira foi confirmado em definitivo no Santa Clara\*

Apesar de não ser uma posição carenciada de reforços a verdade é que, para um Benfica que almeja algo mais que o campeonato interno, é necessário um improvement. Vlachodimos tem qualidade, mas não está ao nível do Benfica que tem de lutar por um lugar entre as 8 melhores equipas da Europa.
A minha ideia seria Wuilker Fariñez, tem 21 anos e é um dos mais promissores guarda-redes do mundo. O venezuelano tem até a vantagem de jogar num parceiro nosso, o Millonarios. Aquilo que tem demonstrado nesta Copa América, e não só, demonstra que é mais um daqueles casos que não engana - tal como Oblak ou Ederson não o conseguiríamos manter por mais do que 2 anos. Durante esse período para além de contarmos com um excelente guarda-redes, teríamos um miúdo na sua sombra a crescer e outro fora de portas mas a ser acompanhado bem de perto. Outra excelente opção, mas bastante improvável, seria Andriy Lunin guarda-redes do Real Madrid e campeão Mundial sub-20 pela Ucrânia.

Lateral Direito :
  • André Almeida é o meu patinho feio do 11 titular do Benfica. E, de facto, há alguma validade para que o seja. Ainda assim é inegável que André Almeida tem estado a bom nível e tem números que o comprovam. É um jogador com anos de casa, com experiência em momentos de glória e de decepção e perfeitamente integrado com os valores Benfiquistas, que tanta falta faz ao plantel. Hoje, André Almeida é subcapitão da equipa e duvido que alguma equipa fosse capaz de dar pelo 34 um valor monetário que chegasse sequer próximo do valor que o Benfica lhe dá.
  • Ebuehi é uma incógnita. Apesar de ser internacional pela selecção da Nigéria ainda nada mostrou ao serviço do Benfica devido à grave lesão que o fez perder toda a época. Não sei se terá cabimento uma das vagas do plantel ser dele, mas tem na pre-época uma oportunidade para agarrar o lugar e descansar os adeptos em relação à sua qualidade.
  • Pedro Pereira formado no CFC, saiu em 2015 para a Sampdoria e de lá, já com experiência na Serie A, regressou ao Benfica para se impor na equipa principal. Infelizmente, as expectativas saíram defraudadas, visto que mostrou muito pouco para quem tanto prometia. Assim sendo, foi emprestado este ano ao Génova, onde acabou por se impôr como titular. Não sei se é cedo para desistir de Pedro Pereira, mas a verdade é que do que vi dele nada me agradou.
  • Alex Pinto apesar de prometer muito, ainda não deu o salto que se esperava, e já lá vão duas épocas de equipa B. Não tem qualidade suficiente para integrar a primeira equipa, mas, dado que só tem 20 anos, não é altura de desistir já dele. Ficar na equipa B também não faz sentido, dado que há miúdos talentosos para promover. Um empréstimo é o que faria mais sentido. Enquanto escrevia este texto Alex Pinto foi emprestado ao Gil Vicente.\*

LFV já veio afirmar que não vai contratar para as laterais, o que olhando para o quadro em cima e tendo em conta que o treinador é Bruno Lage (tanto jogador que renasceu com ele) não é de todo descabido. No entanto numa equipa como o Sport Lisboa e Benfica, a titularidade sustentada de um jogador como Almeida é o rosto da mediocridade.
Da maneira como o Benfica de Bruno Lage joga precisamos de uma autêntica locomotiva, que tenha uma boa qualidade técnica e que seja agressivo a defender. Como tal deixo aqui três nomes :
  1. Sabaly do Bordeaux e Senegal
  2. Alvas Powell do Cincinnati e Jamaica.
  3. Com o decorrer do Mundial sub-20 houve outro jogador que me chamou à atenção, embora jogasse como ala numa defesa a cinco. Falo de Konoplia, que para além de ser muito forte nas transições (devido à sua velocidade) tem uma grande capacidade de decisão somando 4 assistências.
Enquanto escrevia fomos brindados pela notícia que Daniel Alves não irá permanecer no PSG. Será que é possível invés de gastar 3M num Cádiz (sem querer tirar qualidade ao jogador), investir mais num jogador de créditos firmados como este? Será que um dos melhores laterais direitos da história poderá estar interessado em ingressar num clube como o Benfica ou ainda quererá um clube com ambições de vencer a Champions?

Lateral Esquerdo :
  • Grimaldo é um fora de série. Muitas pessoas não dão valor a Grimaldo por causa de alguns erros defensivos que comete, mas jogar com Grimaldo a lateral esquerdo é como ter lá um médio, tamanha a criatividade e a inteligência do espanhol. Além disso, tem uma técnica acima da média. Se jogasse noutro campeonato, estou certo que seria já internacional espanhol há muito tempo. Grimaldo é um exemplo de boa gestão no Benfica. O jogador chega à equipa principal num grau de maturidade alto mas longe do seu potencial máximo, e, atingido o seu potencial máximo, dá duas ou três épocas ao clube (ou mais). Depois dá o salto deixando os cofres cheios para investir num substituto. A verdade é que, mesmo tendo só 23 anos, já cá está há 3 épocas e meia. É portanto natural que se pense em deixá-lo voar. Não sei se o valenciano abandonará o clube esta época ou não. Se sair, terei muita pena, mas compreenderei, sendo indispensável um reforço digno desse nome. Se ficar, teremos que ficar felizes porque iremos usufruir deste craque mais um ano
  • Yuri Ribeiro e Pedro Amaral são dois jogadores na mesma linha. Yuri Ribeiro fez uma boa época no ano passado, no Rio Ave, e, face à saída de Eliseu, ocupou o seu lugar. Porém, Yuri foi um daqueles jogadores que sentiu o peso da camisola, demonstrando não ter o que é necessário para representar o Benfica. A aposta, em teoria, faz sentido. Yuri, não sendo um craque, parecia ter qualidade suficiente para substituir Grimaldo quando fosse necessário, com o bónus de ser da nossa formação. Só que, na prática, correu mal. Não censuro a escolha, censuro o facto de termos atacado a segunda volta sem arranjar outro jogador para o lugar dele, e censurarei se ele fizer parte do plantel da próxima época.Pedro Amaral é um ano mais novo mas também é ligeiramente inferior. Não é mau jogador, mas também é insuficiente. O erro que foi apostar em Yuri seria repetido se o seu substituto fosse Amaral.
  • Existe ainda na equipa sub-23 Frimpong e Nuno Tavares (muito promissor) e tivemos emprestado Matheus Leal ao Real Massamá. Não acredito que nenhum seja aposta a curto prazo, sendo que os dois miúdos formados no Seixal estão verdes e o brasileiro não conta.

Assim sendo, se Grimaldo não sair, obrigatoriamente, temos de ir ao mercado reforçar a lateral esquerda com um jogador para ser sombra do titular. E logo aqui as afirmações de LFV deixam de fazer sentido. Não sei como é possível termos um Presidente que todos os anos dá tiros nos pés parecendo não querer aproveitar todo o potencial que o Benfica tem, com medo que alguém perceba o quão grande esta instituição realmente é e lhe venha roubar o lugar.
Na minha opinião deveríamos atacar um destes alvos:
  1. Pedro Rebocho tem 24 anos, é também ele made in Seixal e já é há dois anos um dos destaques da Ligue 1. Porém, a sua equipa, o En Avant Guingamp, irá descer de divisão, pelo que o jogador está algo desvalorizado. Não me parece que Rebocho tenha qualidade para assumir inicialmente a titularidade da equipa. Porém, também não encontro um jogador com melhor perfil e com a qualidade dele para assumir o papel de alternativa.
  2. Sergio Reguilón tem 22 anos e foi formado no Real Madrid. O ano passado discutiu a titularidade com Marcelo mas com a chegada de Mendy não parece que vá permanecer no plantel. Anteriormente já nos demos muito bem com este tipo de negócios (Javi, Rodrigo, Grimaldo) e apesar de envolver uma quantia superior à que teríamos de despender em Rebocho poderíamos já aqui ter o substituto de Grimaldo quando o mesmo sair.
  3. Abdelkarim Hassan, tem 25 anos e é titular do Al-Sadd e selecção Qatariana. Já me tinha chamado à atenção na taça Asiática, dando seguimento com exibições de encher o olho na Copa América. Um defesa com um físico impressionante, forte a defender e com qualidade a sair a jogar. Não deverá ser caro e aposto que seria um achado.
  4. Rubén Vinagre, tem 20 anos, é promissor e não tem minutos no Wolves. Está no carrossel do Mendes e podíamos usar esse factor para o trazer. A montra Benfica nunca teve melhor reputação.

Caso Grimaldo saia, aí sim temos que atacar em força por um substituto digno desse nome. Com esse propósito, surgiram na imprensa alguns nomes mais consagrados casos de Alberto Moreno do Liverpool, Mário Rui do Nápoles e Leonardo Koutris do Olympiakos.
Mais uma vez a minha opinião recai sobre o plantel dos blancos, falo de Theo Hernandez. Um jogador que iria envolver um esforço financeiro enorme (avaliado em 20M) e a lutar contra grandes nomes na Europa (parece que está a ser disputado por Leverkusen e Roma) mas que nos permitiria ter um lateral superior a Grimaldo. Além disso é um jogador que não é opção no Real e está desvalorizado, pelo que a menor pressão de jogar frequentemente no Benfica e demonstrar todo o seu valor seria do seu agrado.
Em suma, o Benfica deveria ir ao mercado por um lateral esquerdo, ou dois, dependendo da manutenção de Grimaldo. Se Grimaldo sair, espero que não haja displicência na sua substituição, pois Grimaldo é um dos jogadores mais preponderantes na nossa equipa. Sobre o suplente, confesso que tenho algum receio que a estrutura tenha demasiada fé em Nuno Tavares, pois acredito que ainda não está pronto e pode-se vir queimar um jogador muito talentoso.

Defesa Central :
  • Rúben Dias, o patrão da defesa. Se ainda comete erros de principiante? Comete. Se por vezes demonstra agressividade desmedida? Demonstra. Mas a nossa defesa sem ele sofre muito e atingiu um nível, que apesar de muitos nao o reconhecerem, faz dele indispensável. Para além de nos jogos a doer assumir-se como mais ninguém o faz. Próximo ano temos Europeu e se nao lhe subirmos a cláusula (80M) esta irá ser facilmente batida.
  • Francisco Ferreira, Ferro, foi uma das maiores surpresas da época. Quem o acompanhava, como eu, na equipa B sabia que tínhamos ali um central para os próximos anos. A verdade é que já estava a estagnar na equipa B e em boa altura veio a saída de Lema e Rui Vitória. Ferro trata melhor a bola do que qualquer um dos restantes centrais e, apesar de alguns erros defensivos que ainda comete (normal, dada a falta de experiência), tem tudo para fazer uma carreira de alto nível. Intocável, portanto.
  • Jardel, o nosso capitão. Se para muitos já nao dá mais porque este está velho, eu sou de opinião completamente distinta. O Benfica nao pode perder os pilares do balneário ano após ano, muito menos quando Jardel ficou com uma responsabilidade passada por Luisão. Já vimos que Bruno Lage gosta de rodar a equipa, e Jardel terá muitos minutos nas taças e no campeonato após jornada de Liga dos Campeões. Merece um lugar no plantel da próxima época (assim ele o queira). Porém, é necessário reconhecer que não poderá ter o estatuto de outros tempos, pelo que, no máximo, terá que ser terceira opção para o centro da defesa.
  • Conti, contratado para ser o 3º central, desiludiu. Foram muitos os erros de abordagem, alguns até deram em autogolo, o que é ilustrativo que não estava pronto para vir para a Europa. Tem 24 anos, logo não se pode dizer que é um defesa central velho. Assim sendo, pode ainda ser cedo para desistir dele. No entanto, a sua saída tem que acontecer, por empréstimo e preferencialmente no campeonato português.
  • Emprestados temos dois, ambos argentinos. Lema tem 28 anos e chegou este época a custo zero. Veio classificado como um dos melhores centrais da Liga Argentina, e, para ser sincero, não duvido que tal seja verdade. Sempre que jogou demonstrou a sua qualidade e nao fosse a sua, injusta, expulsão contra o Porto as coisas poderiam ter sido diferentes. O outro argentino é Lisandro Lopez, chegou ao Benfica há 6 anos rotulado como uma grande promessa, mas nunca se impôs totalmente. Embora não seja mau jogador, dado que já tem 29 anos, não me parece sensato considerá-lo para o futuro do Benfica.
  • Lystsov, desde Outubro que está em recuperação depois de uma rotura do ligamento cruzado e ainda não há prazo para regressar. Está com 23 anos e já conta com uma pré-convocatória para a selecção Russa pelo que qualidade nao lhe falta. Tendo em conta que vem de um ano sem praticar, acho que seria preferencial ficar como 4º central/titular na B enquanto recupera forma com o plus de conceder experiência a uma jovem equipa.
  • Kalaica está no ponto para subir à primeira liga. O croata é o capitão da equipa B e, após 3 anos lá, não aprenderá mais. Agora, é preciso alguma reflexão sobre como gerir este rapaz, porque só fará sentido integrar Kalaica na equipa principal se ele tiver minutos. Uma coisa é certa, Kalaica tem de sair da equipa B, até porque há muito talento a precisar de uma vaga.

Esta é possivelmente a posição em que o Benfica está mais bem servido e continuará a estar após a saída dos dois centrais agora titulares. David Zec, Pedro Álvaro, Nóbrega e Gonçalo Loureiro fazem todos parte da geração de 2000 e se continuarem a evoluir como tem acontecido, e com minutos nas pernas, serão opções a médio prazo.
O problema é que dos 8 centrais que referi em cima, no início da próxima época, acredito que poderão ainda cá estar, no máximo, 4 deles.
  1. Rubén Dias e Ferro devem continuar a titulares no Benfica de Lage e, se mantiverem a qualidade, consequentemente na selecção nacional no Europeu 2020. Com isto deverá ser muito difícil manter os dois após o final da próxima época. Muito menos quando temos um vendedor ambulante como Presidente.
  2. Lema e Lisandro já não devem regressar ao plantel, ambos têm interessados na América do Sul e podemos/devemos recuperar o investimento feito em ambos.
  3. Jardel não segue para novo, não tendo capacidades para ser titular neste Benfica.
  4. Conti e Kalaica estão verdes, e mesmo que ambos os empréstimos corram bem não significa que estejam prontos para assumir a titularidade do Benfica, enquanto que Lystsov é uma incógnita.
Tendo em conta este cenário não sei se não será necessário apalavrar já um jogador de créditos firmados para a próxima época. David Luiz poderá ser perfeito, até porque, com a idade que tem, começará a entrar em declínio em breve, sendo que quando começasse a decair, já outros jovens valores estavam mais que prontos para assumir o lugar. Rúben Semedo seria outro nome interessante. Português, Benfiquista e ainda novo. Está completamente desvalorizado em Espanha e querem desfazer-se dele. Seria uma excelente oportunidade pois considero que tem qualidades muito boas para a posição e para aquilo que Lage pretende.

Meio Campo :
  • Começo por Fejsa pois qualquer Benfiquista sempre o respeitará, embora possa ser altura de reconhecer que o ciclo dele pode ter chegado ao fim. Fejsa sempre foi um fantástico trinco, mas nunca teve uma capacidade de construção por aí além. Só que agora é essencial ser pelo menos competente na construção para funcionar no sistema de Lage. Para piorar, fisicamente, Fejsa está muito débil. Foram anos maravilhosos mas, com uma proposta adequada, infelizmente poderá aceitar-se a sua saída.
  • Samaris e Florentino são dois jogadores semelhantes sendo que ambos são competentes na sua função, embora um seja melhor a construir e outro a destruir. Ambos são muito bons nas funções mais defensivas, com algumas diferenças no estilo, dado que Florentino tem uma técnica defensiva impressionante (não me lembro de alguém igual) e Samaris, não sendo tão bom tecnicamente, compensa com agressividade no sentido positivo. Samaris junta ainda uma qualidade de passe e leitura de jogo fora do normal para um jogador naquela posição. Ter os dois à disposição é fantástico, pois permite ao Tino crescer sem tanta pressão com um jogador muito mais batido e que ainda por cima está perfeitamente identificado com o clube. Juntos, não funcionam tão bem. Com Gabriel ao lado, complementam-no perfeitamente.
  • Gabriel foi uma contratação de risco, dado que se investiu 10M€ num jogador relativamente desconhecido. A época até nem começou muito bem, uma vez que o homem era o oposto do que Rui Vitória queria num médio mas, felizmente, com Bruno Lage, acabou por provar o seu valor. Para um sistema com dois homens no meio campo, é imprescindível um jogador como Gabriel: bom na pressão e na recuperação, fantástico na construção. Assim sendo, ainda bem que temos um jogador assim.
  • Gedson Fernandes começou muito bem a época e perdeu um bocadinho com a entrada de Lage. Não é anormal, atenção. Gedson é um box-to-box puro, sendo que ainda pode fazer várias posições no meio campo. Assim sendo, é normal que tivesse algumas dificuldades com este novo sistema pois para Bruno Lage não basta ser competente na posição. Lage é inteligente e saberá o que fazer com o Gedson, e Gedson é muito talentoso (tenho muitas esperanças nele) e certamente agarrará um lugar, seja no meio campo a dois, seja encostado à linha ou atrás do avançado. É um jogador diferente de Samaris, Florentino e Gabriel, e dará muito jeito numa época longa.
  • Krovinovic é um caso estranho. Chegou lesionado do Rio Ave e depois de uma travessia pelo deserto em termos de minutos agarrou o lugar num meio campo a 3 e foi o melhor do Benfica com apenas uns meses de competição, até à lesão. Desde que regressou, está completamente fora de forma. Não sei explicar o que aconteceu mas é preciso agir. Uma hipótese é emprestar-lo e permitir que recupere a forma e a confiança num clube que precise de um craque como o Krovi (parece que este é o caminho pois falasse num empréstimo ao Vitória). Outra hipótese é o próprio Lage conseguir reabilitá-lo na pré-época. Seja como for, ficar mais uma época a estagnar na bancada não pode ser uma opção. Na minha opinião, e tendo em conta que não acredito que Krovino se adapte a este meio campo a dois,o melhor seria um empréstimo para Inglaterra ou Alemanha com uma cláusula alta (25M).
  • Taarabt, o marroquino ganha logo pelo facto de ser versátil, pois tanto poderia ser falado juntamente com os extremos ou juntamente com os avançados. Mas todos conhecemos a história dele. Chegou rotulado de craque problemático, e fez jus à segunda adjectivação. Andamos a pagar um balúrdio e, portanto, ele só tinha que ser profissional, algo que não aconteceu. Tudo mudou esta época. Lage chegou e conseguiu motivar o marroquino, tornando-o uma opção. É impressionante a capacidade que ele tem de romper linhas com um passe. Portanto, sendo ele um jogador tão dotado, e tendo ainda mais um ano de contrato, é de aproveitar. Já que o salário dele será pago de qualquer maneira, não se perde nada em aproveitar o homem desportivamente.
  • Do rol de emprestados, há dois que claramente não têm lugar no Benfica – Chrien e Dálcio. O eslovaco é mau, claramente não valia o milhão que o Benfica pagou por ele e está a mais no Benfica. O segundo foi um negócio que se aceita, na mesma óptica de Nelson Semedo. Foi barato, por isso, se resultasse era fantástico e, não resultando, não é grave.
  • Keaton Parks, David Tavares e Alfa Semedo são jogadores interessantes. Dado o excesso de médios que temos, talvez não dê para os integrar, mas merecem uma hipótese na pré-época. Keaton é um jogador melhor a construir que a defender. Já o Alfa apesar de ser um jogador muito intenso em Janeiro Lage descartou-o. Em ambos há lacunas, acima de tudo defensivas, mas tenho curiosidade para saber como se integrariam no Benfica de Lage. David Tavares é um animal que irá acabar no plantel mas para já está verde. Acredito que o ideal seria um empréstimo para voltarem.
  • O outro emprestado deveria fazer a pré-época. Infelizmente, na sua transição para sénior, apanhou o treinador errado. Tenho receio que, agora que ele já vai com 22 anos acabados de fazer, seja tarde. No entanto, é um pivot super natural, encaixando que nem ginja neste sistema táctico. Com Lage, talvez ainda se faça jogador, por isso, não perdemos nada em integrá-lo. Estou a falar de Pedro Rodrigues, Pêpê.

Havendo tantas e tão variadas opções, eu diria que não é necessário contratar ninguém para o meio campo. Ainda por cima quando, como no caso da posição central da defesa, temos tanto talento à espera no Seixal - Vukotic, Diogo Pinto, Tiago Dantas e David Tavares.
No entanto gostaria de deixar aqui um nome - Willie Clemons, tem 24 anos e é jogador do Bodens BK e internacinal pelas ilhas Bermudas. Não será um investimento de risco e pareceu-me um médio super intenso, muito completo tanto a defender como no transporte e a queimar linhas.

Meio Campo ofensivo :
  • Rafa, foi possivelmente o melhor jogador do Benfica nesta temporada. Com Rui Vitória nunca conseguiu mostrar toda a sua qualidade (pecando muito na finalização), mas agora, com Lage, está a um nível estratosférico. O melhor de tudo é que, depois da eminente renovação, parece que iremos ter jogador para as próximas temporadas.
  • Pizzi, é um extremo diferente, mais criativo que desequilibrador, e sem o achar um fora de série acaba por ser fulcral neste 4-4-2 que nos últimos 4 anos nos fez festejar por 3 vezes. No plantel, não há outro como ele, daí o seu estatuto e importância para a equipa.
  • Caio Lucas é outro que quase garantidamente fará parte do plantel, pois é um reforço que foi garantido em Janeiro. Conheço muito pouco sobre ele, mas dizem que é um desequilibrador puro. Como cartão de visita, traz número muito interessantes esta temporada: 5 golos e 11 assistências em 2100 minutos (cerca de 23 jogos).
  • Cervi. Prometeu muito quando chegou ao Benfica mas a realidade é que foi dos jogadores que mais sofreu com a era Rui Vitória (ainda por cima na fase mais importante da sua evolução), isto porque pensou que a sua função era ser competente a defender e dar intensidade ao jogo. Agora que é preciso ter maturidade táctica, Cervi não a tem. Assim sendo, com tanto talento na posição, não sei bem o que vai acontecer. A verdade é que se JJ fosse o treinador a posição de Defesa Esquerdo ficaria fechada com a adaptação de Cervi. Com Lage não sei se isso acontecerá, mas que era o ideal, era!
  • Sobre Salvio é difícil, sempre sobreviveu da capacidade de explosão para desequilibrar. Nos tempos áureos, era uma verdadeira máquina, sendo que, não obstante a sua falta de inteligência futebolística, conseguia causar estragos em qualquer defesa. Para melhorar, sempre foi também um extremo com muito golo. Só que esses tempos parecem ter acabado. As lesões sucessivas tiraram-lhe a grande virtude e agora Salvio é um jogador banal. Para piorar, não encaixa no sistema de Lage. É um dos mais bem pagos do plantel e o seu rendimento não condiz, de todo, com o seu salário. Havendo tanta qualidade nas alas e tanta diversidade, talvez seja altura de Benfica e Salvio seguirem rumos diferentes. O problema é que Salvio já é um dos pilares do balneário, com mais tempo de casa e parece viver o Benfica como nós. E num balneário cheio de miúdos são necessárias referências que possam transmitir a mística.
  • Jota e Willock estão numa fase semelhante da evolução. Ambos são Reis na equipa B, ambos desesperam por uma oportunidade na equipa A. Jota já teve algumas oportunidades, mas muito esporadicamente. Willock ainda nem isso. Penso que estejam ainda ambos verdes para o patamar Benfica pelo que um empréstimo com V de volta poderia ser importante na sua evolução. No entanto, e tendo o Benfica tanto talento nesta posição, emprestar Willock no Championship, embora com uma clausula de compra alta, poderia ser muito interessante.
  • Zivkovic é uma das grandes decepções do ano. Com Rui Vitória, oscilou sempre entre a bancada e a titularidade nao existindo qualquer tipo de equilíbrio. Agora, com Lage, eu estava convencido que Zivkovic iria finalmente explodir. Falso. Por isso, dado que começa a ficar caro ficar com Zivkovic, era uma boa altura para o sérvio sair. Provavelmente, iremos ter uma reedição do caso Jovic (por isso, se o emprestarem, cuidado com as cláusulas que lhe metem), mas manter Zivkovic não é saudável nem para o Benfica nem para o jogador.
  • André Carrillo é um craque. Os Benfiquistas não o valorizam porque as expectativas eram altas (afinal de contas, era a estrela do rival) e Rui Vitória pouco contou com ele, mas a verdade é que Carrillo é um craque. É um extremo diferente de todos os que temos, mais cerebral mas ao mesmo tempo desequilibrador, e por ser tão diferente, Rui Vitória não sabia o que fazer com ele. Aposto que Lage sabe, mas dado que ele está relativamente valorizado também aposto que nao regressará das Arábias.
  • Benitez é jogador do carrossel. Foi um negócio, onde para se renovar com um tinha de vir outro, danoso para o clube. Seja como for, o que vi do mesmo na pre-época até nem pareceu mau. Um jogador mais ao estilo de Pizzi que dos outros. Mas a verdade é que por onde tem passado não tem rendido, e nao acredito que vá ser agora. Para sair.
  • Diogo Gonçalves, na formação era um extremo desequilibrador que sempre teve muito golo. Foi por isso que ganhou a chance de fazer parte da equipa principal na época passada. Infelizmente, não resultou, e foi emprestado não tendo corrido bem a experiência em Inglaterra. Enquanto escrevia esta analise soube que vai ser emprestado ao Famalicão, e não podia estar mais de acordo.\*

Resumidamente, não chega não trazer ninguém para as alas ofensivas. É preciso cortar alguns jogadores, para abrir vagas para miúdos que desesperam por oportunidades, e para libertar orçamento para posições que realmente precisam de ser reforçadas.
No entanto, mais uma vez, gostaria de deixar aqui um nome - Carlos Antuna de 21 anos, jogador do Manchester City, Mexicano. É um jogador muito semelhante ao antigo Salvio - destro a jogar como ala direito, capacidade de explosão e velocidade felina. Ainda por cima tem um faro de golo impressionante, a quantidade de vezes que aparece em zonas de finalização após se ter desmarcado da marcação é surreal para um extremo. E tem-no comprovado agora na Gold Cup onde já leva 4 golos e 2 assistências em apenas 3 jogos. Vai ser uma estrela

Frente de Ataque :
  • Seferovic, tem muita capacidade de trabalho e de sofrimento e tem uma mentalidade competitiva enorme. Além disso, é um excelente jogador de equipa, sendo muito inteligente em campo e ideal para o estilo de Bruno Lage. Infelizmente, falha num dos aspectos mais importantes de um avançado: a finalização. É exasperante a quantidade de golos que o suiço falha. Não se exige que marque um golo a cada oportunidade, mas às vezes Seferovic precisa de 3 ou 4 bolas claríssimas de golo para meter um, e isso, no futuro, pode custar títulos. Assim, sou da opinião que aparecendo algum clube dê por Seferovic um valor superior ao seu real seria de aproveitar.
  • Jonas, o mago brasileiro está envelhecido e muito débil fisicamente, mas a verdade é que é o maior responsável por o Benfica se ter aguentado durante a era de Rui Vitória. Acabou a época com uma média muito próxima de um golo por 90 minutos. Acho que a decisão de acabar a carreira ou não, só ele a deve tomar, mas acho que Jonas ainda pode ser muito útil, até porque já se viu que Jonas funciona não só como 9 mas também como construtor.
  • Cristian Arango foi mais um daqueles reforços que devia deixar os adeptos revoltados. Para quem não se lembra, chegou no ano passado, e, numa época em que precisávamos de reforçar imensos setores, foi o nosso reforço mais caro. Expectavelmente não tem qualidade para representar o Sport Lisboa e Benfica. Por isso é altura de deixar de gastar vagas de empréstimo em Portugal com ele. Alan Júnior é outro reforço para o carrossel que nunca deveria ter vestido o manto sagrado, estão ambos a mais no Sport Lisboa e Benfica.
  • Heriberto Tavares, extremo de origem tornou-se um avançado móvel que nos sub-21 resultou muito bem, sendo que poderia funcionar com Bruno Lage. Tenho ideia que poderá ser uma alternativa viável a Seferovic embora tenha a mesma incapacidade a finalizar que o Suíço, mas acho que merecia pelo menos fazer a pré-época.
  • Facundo Ferreyra, foi emprestado por ano e meio mas parece que o Espanhol não tem interesse em mantê-lo. Gostaria que Lage lhe concedesse a oportunidade de fazer a pre-época, embora tenha noção que foi Lage quem o dispensou em Janeiro.
  • Jhonder Cádiz, contratado ao Vitória de Setúbal depois de boa época em Portugal. Até posso estar enganado, mas não me parece jogador para o Benfica. Aliás, após as palavras do Presidente parece ser mais um para o carrossel.

Na frente, temos de ir ao mercado obrigatoriamente. Mas têm de ser reforços a sério. Um deles tem de ser um titularíssimo, outro um miúdo com enorme potencial. Na formação temos uma preocupação semelhante pois os miúdos dos planteis B, sub-23 e júniores não parecem ter potencial para um dia figurarem no plantel principal do Benfica.
Raul de Tomas parece estar perto de assinar, e Cádiz já assinou. Com a saída de Félix ficamos órfãos do nosso prodígio, e sabendo que não é possível arranjar um substituto nem por sombras semelhante, temos de repescar Chiquinho. Seria um reforço fantástico, pois poderia jogar no meio ou ainda poderia fazer de Pizzi. Já conhece a casa e foi o melhor jogador do campeonato extra-grandes.

Plantel final
(O post estava muito grande, portanto continua no comentário! Sorry!)
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2013.01.13 04:47 wtzupe “O caso mental português”

«Se fosse preciso usar de uma só palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria «provincianismo». Como todas as definições simples esta, que é muito simples, precisa, depois de feita, de uma explicação complexa.
Darei essa explicação em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto é, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer país, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade. Por mentalidade de qualquer país entende-se, sem dúvida, a mentalidade das três camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental — a camada baixa, a que é uso chamar povo; a camada média, a que não é uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreensão, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás, que sejam sempre erradas. Por natureza, forma o povo um bloco, onde não há mentalmente indivíduos; e o pensamento é individual.
O que caracteriza a segunda camada que não é a burguesia, é a capacidade de reflectir, porém sem ideias próprias; de criticar, porém com ideias de outrem. Na classe média mental, o indivíduo, que mentalmente já existe, sabe já escolher — por ideias e não por instinto — entre duas ideias ou doutrinas que lhe apresentem; não sabe, porém, contrapor a ambas uma terceira, que seja própria. Quando, aqui e ali, neste ou naquele, fica uma opinião média entre duas doutrinas, isso não representa um cuidado crítico, mas uma hesitação mental. O que caracteriza a terceira camada, o escol, é, como é de ver por contraste com as outras duas, a capacidade de criticar com ideias próprias. Importa, porém, notar que essas ideias próprias podem não ser fundamentais. O indivíduo do escol pode, por exemplo, aceitar inteiramente uma doutrina alheia; aceita-a, porém, criticamente, e, quando a defende, defende-a com argumentos seus — os que o levaram a aceitá-la e não, como fará o mental da classe média, com os argumentos originais dos criadores ou expositores dessas doutrinas. Esta divisão em camadas mentais, embora coincida em parte com a divisão em camadas sociais — económicas ou outras — não se ajusta exactamente a essa. Muita gente das aristocracias de história e de dinheiro pertence mentalmente ao povo. Bastantes operários, sobretudo das cidades, pertencem à classe média mental. Um homem de génio ou de talento, ainda que nascido de camponeses, pertence de nascença ao escol. Quando, portanto, digo que a palavra «provincianismo» define, sem outra que a condicione, o estado mental presente do povo português, digo que essa palavra «provincianismo», que mais adiante definirei, define a mentalidade do povo português em todas as três camadas que a compõem. Como, porém, a primeira e a segunda camadas mentais não podem por natureza ser superiores ao escol, basta que eu prove o provincianismo do nosso escol presente, para que fique provado o provincianismo mental da generalidade da nação. Os homens, desde que entre eles se levantou a ilusão ou realidade chamada civilização, passaram a viver, em relação a ela, de uma de três maneiras, que definirei por símbolos, dizendo que vivem ou como os campónios, ou como provincianos, ou como citadinos. Não se esqueça que trato de estados mentais e não geográficos, e que portanto o campónio ou o provinciano pode ter vivido sempre em cidade, e o citadino sempre no que lhe é natural desterro.
Ora a civilização consiste simplesmente na substituição do artificial ao natural no uso e correnteza da vida. Tudo quanto constitui a civilização, por mais natural que nos hoje pareça, são artifícios o transporte sobre rodas, o discurso disposto em verso escrito, renegam a naturalidade original dos pés e da prosa falada.
A artificialidade, porém, é de dois tipos. Há aquela, acumulada através das eras, e que, tendo-a já encontrado quando nascemos, achamos natural; e há aquela que todos os dias se vai acrescentando à primeira. A esta segunda é uso chamar «progresso» e dizer que é «moderno» o que vem dela. Ora o campónio, o provinciano e o citadino diferençam-se entre si pelas suas diferentes reacções a esta segunda artificialidade.
O que chamei campónio sente violentamente a artificialidade do progresso; por isso se sente mal nele e com ele, e intimamente o detesta. Até das conveniências e das comodidades do progresso se serve constrangido, a ponto de, por vezes, e em desproveito próprio, se esquivar a servir-se delas. É o homem dos «bons tempos», entendendo-se por isso os da sua mocidade, se é já idoso, ou os da mocidade dos bisavós, se é simplesmente párvuo.
No pólo oposto, o citadino não sente a artificialidade do progresso. Para ele é como se fosse natural. Serve-se do que é dele, portanto, sem constrangimento nem apreço. Por isso o não ama nem desama: é-lhe indiferente. Viveu sempre (física ou mentalmente) em grandes cidades; viu nascer, mudar e passar (real ou idealmente) as modas e a novidade das invenções; são pois para ele aspectos correntes, e por isso incolores, de uma coisa continuamente já sabida, como as pessoas com quem convivemos, ainda que de dia para dia sejam realmente diversas, são todavia para nós idealmente sempre as mesmas.
Situado mentalmente entre os dois, o provinciano sente, sim, a artificialidade do progresso, mas por isso mesmo o ama. Para o seu espírito desperto, mas incompletamente desperto, o artificial novo, que é o progresso, é atraente como novidade, mas ainda sentido como artificial. E, porque é sentido simultaneamente como artificial é sentido como atraente, e é por artificial que é amado. O amor às grandes cidades, às novas modas, às «últimas novidades», é o característico distintivo do provinciano.
Se de aqui se concluir que a grande maioria da humanidade civilizada é composta de provincianos, ter-se-á concluído bem, porque assim é. Nas nações deveras civilizadas, o escol escapa, porém, em grande parte, e por sua mesma natureza, ao provincianismo. A tragédia mental de Portugal presente é que, como veremos, o nosso escol é estruturalmente provinciano.
Não se estabeleça, pois seria erro, analogia, por justaposição, entre as duas classificações, que se fizeram, de camadas e tipos mentais. A primeira, de sociologia estática, define estados mentais em si mesmos; a segunda, de sociologia dinâmica, define estados de adaptação mental ao ambiente. Há gente do povo mental que é citadina em suas relações com a civilização. Há gente do escol, e do melhor escol — homens de génio e de talento — , que é campónio nessas relações.
Pelas características indicadas como as do provinciano, imediatamente se verifica que a mentalidade dele tem uma semelhança perfeita com a da criança. A reacção do provinciano, às suas artificialidades, que são as novidades sociais, é igual à da criança às suas artificialidades, que são os brinquedos. Ambos as amam espontaneamente, e porque são artificiais.
Ora o que distingue a mentalidade da criança é, na inteligência, o espírito de imitação; na emoção, a vivacidade pobre; na vontade, a impulsividade incoordenada. São estes, portanto, os característicos que iremos achar no provinciano; fruto, na criança, da falta de desenvolvimento civilizacional, e assim ambos efeitos da mesma causa — a falta de desenvolvimento. A criança é, como o provinciano, um espírito desperto, mas incompletamente desperto.
São estes característicos que distinguirão o provinciano do campónio e do citadino. No campónio, semelhante ao animal, a imitação existe, mas à superfície, e não, como na criança e no provinciano, vinda do fundo da alma; a emoção é pobre, porém não é vivaz, pois é concentrada e não dispersa; a vontade, se de facto é impulsiva, tem contudo a coordenação fechada do instinto, que substitui na prática, salvo em matéria complexa, a coordenação aberta da razão. No citadino, semelhante ao homem adulto, não há imitação, mas aproveitamento dos exemplos alheios, e a isso se chama, quando prático, experiência, quando teórico, cultura; a emoção, ainda quando não seja vivaz, é contudo rica, porque complexa, e é complexa por ser complexo quem a terá; a vontade, filha da inteligência e não do impulso, é coordenada, tanto que, ainda quando faleça falece coordenadamente, em propósitos frustes mas idealmente sistematizados.
Percorramos, olhando sem óculos de qualquer grau ou cor, a paisagem que nos apresentam as produções e improduções do nosso escol. Nelas verificaremos, pormenor a pormenor, aqueles característicos que vimos serem distintivos do provinciano.
Comecemos por não deixar de ver que o escol se compõe de duas camadas — os homens de inteligência, que formam a sua maioria, e os homens de génio e de talento, que formam a sua minoria, o escol do escol, por assim dizer. Aos primeiros exigimos espírito crítico; aos segundos exigimos originalidade, que é, em certo modo, um espírito crítico involuntário. Façamos pois incidir a análise que nos propusemos fazer, primeiro sobre o pequeno escol, que são os homens de génio e de talento, depois sobre o grande escol.
Temos, é certo, alguns escritores e artistas que são homens de talento; se algum deles o é de génio, não sabemos, nem para o caso importa. Nesses, evidentemente, não se pode revelar em absoluto o espírito de imitação, pois isso importaria a ausência de originalidade, e esta a ausência de talento. Esses nossos escritores e artistas são, porém, originais uma só vez, que é a inevitável. Depois disso, não, evoluem, não crescem; fixado esse primeiro momento, vivem parasitas de si mesmos, plagiando-se indefinidamente. A tal ponto isto é assim, que não há, por exemplo, poeta nosso presente — dos célebres, pelo menos — que não fique completamente lido quando incompletamente lido, em que a parte não seja igual ao todo. E se em um ou outro se nota, em certa altura, o que parece ser uma modificação da sua «maneira», a análise revelará que a modificação foi regressiva: o poeta ou perdeu a originalidade e assim ficou diferente pelo processo simples de ficar inferior, ou decidiu começar a imitar outros por impotência de progredir de dentro, ou resolveu, por cansaço, atrelar a carroça do seu estro ao burro de uma doutrina externa, como o catolicismo ou o internacionalismo. Descrevo abstractamente, mas os casos que descrevo são concretos; não preciso de explicar, porque não junto a cada exemplo o nome do indivíduo que mo fornece.
O mesmo provincianismo se nota na esfera da emoção. A pobreza, a monotonia da emoção nos nossos homens de talento literário e artístico, salta ao coração e confrange a inteligência Emoção viva, sim, como aliás era de esperar, mas sempre a mesma, sempre simples, sempre simples emoção, sem auxílio crítico da inteligência ou da cultura. A ironia emotiva, a subtileza passional, a contradição no sentimento — não as encontrareis em nenhum dos nossos poetas emotivos, e são quase todos emotivos. Escrevem, em matéria do que sentem, como escreveria o pai Adão, se tivesse dado à humanidade, além do mau exemplo já sabido, o, ainda pior, de escrever. A demonstração fica completa quando conduzimos a análise à região da vontade. Os nossos escritores e artistas são incapazes de meditar uma obra antes de a fazer, desconhecem o que seja a coordenação, pela vontade intelectual, dos elementos fornecidos pela emoção, não sabem o que é a disposição das matérias, ignoram que um poema, por exemplo, não é mais que uma carne de emoção cobrindo um esqueleto de raciocínio. Nenhuma capacidade de atenção e concentração, nenhuma potência de esforço meditado, nenhuma faculdade de inibição. Escrevem ou artistam ao sabor da chamada «inspiração», que não é mais que um impulso complexo do subconsciente que cumpre sempre submeter, por uma aplicação centrípeta da vontade, à transmutação alquímica da consciência. Produzem como Deus é servido, e Deus fica mal servido. Não sei de poeta português de hoje que, construtivamente, seja de confiança para além do soneto.
Ora, feitos estes reparos analíticos quanto ao estado mental dos nossos homens de talento, é inútil alongar este breve estudo, tratando com igual pormenor a maioria do escol. Se o escol do escol é assim, como não será o não escol do escol? Há, porém, um característico comum a ambos esses elementos da nossa camada mental superior, que aos dois irmana, e, irmanados, define: é a ausência de ideias gerais e, portanto, do espírito crítico e filosófico que provém de as ter. O nosso escol político não tem ideias excepto sobre política, e as que tem sobre política são servilmente plagiadas do estrangeiro — aceites, não porque sejam boas, mas porque são francesas ou italianas, ou russas, ou o quer que seja. O nosso escol literário é ainda pior: nem sobre literatura tem ideias. Seria trágico, à força de deixar de ser cómico, o resultado de uma investigação sobre, por exemplo, as ideias dos nossos poetas célebres. Já não quero que se submetesse qualquer deles ao enxovalho de lhe perguntar o que é a filosofia de Kant ou a teoria da evolução. Bastaria submetê-lo ao enxovalho maior de lhe perguntar o que é o ritmo.»
O caso mental português, Fernando Pessoa em Revista FAMA, n.º 1, Lisboa, 30 de Novembro de 1932
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